Sonhários vestíveis é uma prática do Design Interser, que integra yoga, espiritualidade, bem viver para criar experiências regenerativas com crianças, educadores e comunidades. A vivência é parte de uma investigação sobre práticas corporais e imaginação de futuros no contexto da emergência climática. A atividade foi realizada na Escola Efaz, em Florianópolis, no contexto da Semana Lixo Zero e do Global Donut Days no Brasil. Com duração de 100 minutos, a vivência integrou práticas corporais inspiradas no yoga, na Economia Donut e na imaginação de futuros regenerativos. As crianças foram convidadas a “sentipensarem” a partir da experiência de diferentes seres da natureza, compreendendo os limites planetários e sociais de forma sensível e experiencial. As crianças desenharam seus sonhos em um grande Donut de papel, e depois os transferiram para os sonhários em tecidos, que vestiram e movimentaram-se pelo espaço. No dia seguinte, durante a Festa da Família, os sonhários foram expostos à comunidade, permitindo que os sonhos fossem simbolicamente espalhados ao vento.

Sonhos de um mundo que pode não servir mais

Sonhos de um mundo que confortável para todos

Sonhos espalhados ao vento
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Sonhários vestíveis de mundos regenerativos: uma vivência com crianças na Escola Efaz
Texto produzido por Karine Freire e Paula Marins – Donut Brasil
Em Florianópolis, na Escola Efaz, instituição que desde 2005 mantém a credencial de Sala Verde do Ministério do Meio Ambiente e tem a educação ambiental como base de sua proposta pedagógica, aconteceu uma vivência que reuniu corpo, imaginação e a para conversar sobre outros modos de vida possíveis.
A atividade Sonhários vestíveis de mundos regenerativos foi realizada no contexto da Semana Lixo Zero da escola e integrou a programação brasileira do Global Donut Days, iniciativa global inspirada na Economia Donut de Kate Raworth.
Com aproximadamente 100 minutos de duração, a proposta partiu do corpo, do movimento e da imaginação das crianças para que pudessem compreender, de forma sensível e experiencial, os limites planetários e os limites sociais, aquele espaço seguro e justo que a Economia Donut propõe como horizonte para a vida humana e não-humana no planeta.
A vivência teve início com práticas corporais inspiradas no yoga. As crianças foram convidadas a se movimentar pelo espaço habitando as experiências de diferentes seres da natureza: cobras, borboletas, gafanhotos, pássaros, árvores e montanhas. Essa imersão corporal e imaginativa, orientada pelo princípio do sentipensamento, que une sentir e pensar como atos inseparáveis, foi o ponto de partida para que cada criança pudesse perceber, a partir de sua própria experiência humana e também da vivência de outros seres, o que significa existir dentro e fora dos limites do planeta.
Após a prática corporal, as crianças foram convidadas a desenhar seus sonhos em um grande Donut de papel coletivo. O que cada uma deseja para si, para os outros, para a natureza? Que mundos gostariam de habitar e construir? Em seguida, um momento de relaxamento guiado orientou a atenção das crianças para esses sonhos, escutando o som do próprio coração e o que ele tinha a dizer sobre o futuro.
A etapa central da vivência foi a apresentação dos Sonhários: um tecido para desenhar os sonhos, representando mundos que desejamos viver no amanhã. As crianças transferiram seus sonhos do papel para a vestimenta e então vestiram os sonhários. Moveram-se pelo espaço com eles, tornando os futuros imaginados algo vivo, encarnado e compartilhado. O gesto de vestir o sonho nos traz a reflexão sobre os limites que precisamos considerar para que o mundo siga nos permitindo viver de modo leve e fluido. O sonhário deveria servir numa criança e num adulto, considerando a passagem do tempo e a existência do futuro diante do crescimento das crianças.
A vivência foi encerrada com uma roda de partilha, na qual as crianças contaram o que mais as tocou na atividade e os principais aprendizados do encontro. Participaram 36 crianças de 10 anos no turno da manhã e 30 crianças de 8 anos no turno da tarde, com o apoio de quatro professores e duas coordenadoras pedagógicas.
No dia seguinte, durante a Festa da Família promovida pela escola, os sonhários foram expostos à comunidade em um espaço aberto. Os tecidos com os sonhos das crianças ficaram ao vento — como as bandeiras de oração presentes em tradições orientais —, convidando toda a comunidade escolar a imaginar, juntos, os mundos que queremos habitar.
Referências:
RAWORTH, Kate. Economia Donut: uma alternativa ao crescimento a qualquer custo. Tradução: George Schlesinger. Rio de Janeiro: Zahar, 2019.
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